terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ah, menino..

Quero passar mais horas abraçada contigo sem nem saber quais são os limites do meu corpo e do seu.

E depois viajar, vez com a tua voz, vez com um baseado.

Desde já quando acordo e não encontro o teu olhar pequeno de sono ao meu lado sinto um incomodo. 

Pois que essa falta continue me incomodando e que eu possa saná-la na noite seguinte.

Pela minha janela estreita invade um barulho perturbador de gente.

Acendo um incenso e sua fumaça se mistura com a do meu cigarro me protegendo do cheiro escroto que as ruas exalam.

A cada tragada eu me livro do gosto insuportavelmente doce da futilidade e do desgosto da miséria - que almeja, tão inocente, ser doce de arranhar a garganta.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Como se fosse um relógio
Acendo mais um cigarro
Mas ele vai acabar
E você não vai aparecer.

Como se fosse um vício
Olho mais uma vez no relógio
Mas a agoniar vai continuar
E você não vai…

domingo, 27 de novembro de 2011

Tempo das águas

Parece que te conheço há tanto tempo
E mesmo assim tão pouco
Meu olhar encontra o teu
O tão pouco se torna o suficiente
As palavras sim, se tornam poucas

E a cada meio sorriso seu
Invade-me um sorriso inteiro
Desde que não se solte
Um abraço basta

Eu gosto de te olhar
Que eu não conseguiria ficar horas
Porque há o tocar, o sentir...

Já te disse o quanto me sinto segura
Mas nos meus pesadelos
Guardo meus medos


              Sonhos, realidade. Isso me confunde. Você sabe.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Não há segredo nenhum

"Hoje não somos os mesmos, mas somos mais juntos. Sabemos mais uns dos outros, e por esse motivo, dizer adeus se torna difícil. Digamos então, que nada se perderá, pelo menos dentro da gente." Guimarães Rosa.

Um dia a mais que hoje significa um dia a menos.

Não é um fim.
Eu sei disso. Traz conforto
E os abraços? As pernas? As mãos?
E o contato?

Não é um fim.
Eu sei disso. Tira o medo.
Mas e os sorrisos? Os olhares?
E o sentir?

Estou convencendo-me que há sim um fim.

Os braços, as pernas, o corpo
Também são nós
Agora são
Os sorrisos e os olhares
Também estão em nós
Agora estão

Nós fortes, laços de sentires e de saudade.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Por brilho

Eu gostava de quando implicavas com a minhas desculpas. “Não há culpa, menina”. “Desculpa, não pedirei mais”. E assim você ria e reclamava da carga de culpa que eu carrego sem precisar.
Minha parte preferida é “assim você ria” - e que riso mais gostoso. 


O imperfeito do pretérito não combina com o carinho que eu sinto no presente. 
Eu não gostei apenas. Eu não gostava apenas. Continua. 
Independente se não implica, se não ri e se não reclama. Continua. E eu sorrio. 
Pois se o imperfeito não cabe aqui, o perfeito deixa espaços. Há muito mais.
E eu continuo sorrindo, porque há e não apenas houve e nem apenas havia.
Eu continuo gostando.


Falta-me o riso. E como falta-me.
Mas sei que ele existe, e aí só resta o "me", porque não falta. E sabe, até que me dou bem com o "me" e com a ausência da falta. 
Só que as vezes muito "me" me sufoca ou só sufoca. E a falta, a falta aparece. 
Não, não é só falta não. Falta-me você.


Com tanta mudança, o que permanece é o que modifica. E não sei, repetindo a mania da desculpa, eu te agradeço. Não te agradeci e nem te agradecia.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Estrada nova


Eu nas minhas tentativas frustradas de estudar sobre alguns caras de nomes difíceis (tudo bem, o meu também não é dos mais simples) para a faculdade perdi o foco e quando me dei conta estava pensando em tudo isso que vem acontecendo comigo. “Tudo isso”, comecei a lembrar das vezes que eu não consegui mascarar a minha aflição e tive que responder a perguntas que eu nunca tinha indagado a mim. Tudo isso o que, Aline? Não sei, não sei! Minha família está do mesmo jeito, meus amigos estão do mesmo jeito, o que ficou está do mesmo jeito.

O que faz com que eu me perturbe tanto é que eu não fiquei, eu nunca tinha experimentado ficar tanto tempo e tão longe das pessoas que contribuíram para a minha formação. Nunca tive uma noção de mundo diferente. Minhas preocupações sempre foram limitadas a “coisas”. Meus sonhos sempre foram pautados por ideais e valores que foram dados a mim sem que eu os questionasse. Os meus gostos, as minhas preferências, os meus objetivos, as minhas vontades nunca passaram de um produto pronto de várias outras pessoas. Eu sempre tive espaço, atenção e carinho, muito carinho sem ter méritos, sem precisar fazer nada. Eu nunca precisei conquistar algo e mesmo assim tive tudo em minhas mãos.

Entrar em uma realidade diferente, conviver com pessoas diferentes, ir a lugares diferentes e tantas outras apresentações de mundo que eu não conhecia não passou de forma apática por mim. A noção que eu tenho de felicidade, de sonhos, de liberdade não é a mesma que eu tinha antes. Eu teria que ficar feliz por isso. Mas é muito triste não conseguir se encaixar naquilo que você foi a vida inteira. Tudo bem até aí, eu já não vejo o mundo da forma que eu via, mas o problema se concentra aqui: apesar de eu saber que as coisas não são daquele jeito, eu não sei como são e não vejo possibilidade de saber completamente.

Não sei como eu sou, não sei do que eu gosto, não sei quais são meus sonhos. Parece que eu decidi ser assim, que foi uma escolha, mas meu, eu não tenho escolhido nada. Em contrapartida, eu tenho me permitido. Isso eu não posso negar.

A confusão é que eu estou me desconstruindo. Isso daria até um texto, mas agora não convém, só acho valido lembrar como desconstrução é doloroso, é triste, é doído, é vazio.

Eu não me reconheço onde eu me formei como Aline, eu não me vejo mais indo aos mesmos lugares em que eu ia, falando das coisas que eu falava, me vestindo da maneira que eu me vestia, sonhando com as coisas que eu sonhava. Talvez, se eu tivesse uma forma certa e estática de me definir, eu não estaria em crise. Mas crises não são tão ruins e de certa forma é bom saber que eu não sou fixa. Eu consigo agregar coisas boas a mim e a questionar isso que eu julgo bom. Eu posso estar sendo e não apenas ser. Isso é lindo na teoria e eu espero conseguir chegar a um ponto que na prática eu não veja apenas dor e sim beleza.